quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Páscoa Cristã", uma incoerência!


"Cada vez mais, curiosamente, grandes comerciantes têm investido consideráveis somas de dinheiro na religiosidade do povo; mesmo sendo, muitas vezes, ateus ou alheios à fé. A descoberta desse promissor “mercado” acabou despertando a atenção também daqueles que vivem da e na religião, como se dissessem: “se os de fora ganham com a religiosidade do povo porque nós, que vivemos de dentro, não podemos também ganhar”? Assim, muitos (não todos), acabaram aderindo ao grande comércio da fé que vemos hoje."

A páscoa é uma festa “estritamente” judaica. É mais que uma festa: é um sacramento (ordenança) do judaísmo, instituído em Êxodo 12:1-28/43, para comemorar a libertação da escravidão do Egito (Dt 16:1-3) e o livramento da décima praga: morte dos primogênitos Egípcios (Ex 12:27).

Judeu comemorando a Páscoa é coerente; é até obrigatório, pelo caráter sacramental envolvido, mas Cristãos insistindo em comemorar o “sacramento judaico” é no mínimo engraçado.

Claro que muitas transliterações têm sido sugeridas, com o objetivo de “cristianizar” a festa judaica, mas isso não justifica a comemoração. Não existe na Bíblia nenhuma recomendação para que os cristãos comemorem esse sacramento do Velho Testamento. Será que essa insistência dos religiosos cristãos não é motivada simplesmente por fins comerciais? Uma resposta inconsciente aos apelos consumistas?

A páscoa (que comemorava a libertação e a nova vida) foi substituída pela Santa Ceia ou Eucaristia (Lc 22:14-27; I Cor 11:23-28), que comemora a ressurreição de Cristo (o cordeiro Pascal da páscoa do Velho Testamento era uma prefiguração do que aconteceria com Cristo), e a circuncisão (que era o rito externo de entrada no povo de Deus, no Velho Testamento) pelo Batismo (Mt 28:19, Col 2:11), que igualmente é um rito de entrada na igreja visível do Novo Testamento.

Paradoxalmente, muitos cristãos não fazem a menor questão de observar esses dois novos sacramento INSTUÍDOS PELO PRÓPRIO CRISTO, para sua igreja observar: Batismo e Santa Ceia ou Eucaristia.

Se você é Cristão, nunca deseje Boa Páscoa a outro Cristão, ele não tem nada a ver com essa comemoração!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Integração social nas Igrejas Pentecostais do Brasil. - Por que as Igrejas Pentecostais atraem as classes mais pobres?

A Religião, desde sua existência, tem desempenhado o papel de trazer respostas que satisfaça as preocupações e conforte o desespero do homem através de um conjunto de símbolos e dogmas que transmitam esperança. Com este conjunto de símbolos e dogmas, as classes sociais oprimidas se satisfazem e se inspiram, pois nisto encontram condições para a sobrevivência da vida social.
No início do século XX, período marcado por enormes mudanças sociais e avanços sociais na ciência, tecnologia e economia, era “o mundo pós guerra”, destaca-se também uma nova fase dentro da religião, um novo movimento que utiliza seus símbolos sagrados para construir proteção contra o caos, tendo como essência a força de seu poder para suportar os males da existência, ou seja, o movimento estava em paralelo com a situação conflituosa que a humanidade passava. Assim veio o pentecostalismo, com a missão de trazer esperança ao pobre.
Com origem nos Estados Unidos, o pentecostalismo é caracterizado como um movimento religioso criado com o objetivo de renovar o protestantismo tradicional. O principal líder do movimento foi Willian J. Saymor, filho de escravo, que ao estudar o livro de “Atos dos Apóstolos” fez com que acontecesse e se espalhasse a glossolalia (fenômeno de falar em línguas estranhas). Esta reforma religiosa foi marcada por reuniões inter-raciais, onde negros segregados, brancos e mulheres tinham a mesma oportunidade de se misturar ao movimento.
Divulgadores deste novo quadro protestante se espalharam pelo mundo, mais especificamente no Brasil em 1911 com a chegada de dois missionários suécos, Daniel Berg e Gunnar Vingren, em Belém do Pará, fundando a Igreja Assembleia de Deus, que atualmente é a maior representante do pentecoste brasileiro. Neste mesmo ano, outro remanescente desde movimento, o italiano Luigi Francescon, fundo em São Paulo a Igreja Congregação Cristã do Brasil que carregava características pentecostais, porém na maioria das vezes é considerado como um movimento contraditório em virtude de seu fanatismo extremado ou até um sectarismo. Determina-se então como a raiz do pentecostalismo a Igreja Assembléia de Deus por ser uma instituição que com passar dos anos têm se adaptado às alterações do sistema de transformação do pentecostalismo.
É notável que a partir da segunda década do século XX, o movimento pentecostal vem crescendo em vários países em desenvolvimento. Esta expansão ainda é visível nas classes sociais onde a maioria dos indivíduos são mulheres e negros, com baixa escolaridade e renda.
“A primeira que recebeu o batismo com o Espírito Santo foi uma irmã preta como carvão mas lavada no sangue de Jesus”, e mais adiante, “ele é preto no exterior, mas por dentro lavado no sangue de Jesus.” (Gunnar Vingren)
Vários fenômenos da sociedade brasileira, ocorridos por volta do início do século XX, contribuiu para que o Brasil se tornasse a maior nação pentecostal do mundo, sendo o principal a realidade social do país. Um dos fenômenos em destaque foi a recente abolição da escravatura, faltava oportunidade de moradia e educação para o ex-escravo manter uma vida digna e o estado não oferecia condições para integrar o negro no mercado de trabalho. Neste período o país também passava por um processo de urbanização, era o tempo das elites oligárquicas, das revoltas tenentistas, da monocultura do café. Enfim, foi o período em que o oprimido pela ecônomia necessitava de um conforto, de um alívio para o caos, e uma instituição que lhe desse esperança foi sua melhor satisfação.
Em 2011 é comemorado o centenário do movimento pentecostal no Brasil e desde sua origem esta religião é caracterizada por um discurso que abriga a situação do pobre, do oprimido e dos leigos na sociedade, propondo soluções e conforto para sua realidade social. Além disso a mensagem pentecostal possui um vocabulário compatível com a língua dos ouvintes, possibilitando a procriação desse discurso pelas massas populares, que são considerados religiosamente ignorantes pelas igrejas tradicionais e católicas.
A integração social é outra característica marcante deste movimento. Os grupos menos favorecidos economicamente ou as classes de baixa renda, na maioria das vezes é privada de lazer e entretenimento, porém a igreja pentecostal faz com que o indivíduo se integre à essa comunidade religiosa, o qual não é característico das igrejas tradicionais, pois estas praticam projetos sociais, bons serviços à de uma maneira distante dos grupos pobres e da periferia, perdendo assim o público popular.
“Ao passo que as igrejas evangélicas tradicionais estabeleciam nos cultos uma distância entre pastores e simples fiéis e exigiam cursos especializados para funções de pastores, a organização pentecostal rompe com esta dicotomia entre letrados e não-letrados. Assim, não é a instrução que conta, mas o Dom do Espírito.” (Francisco Cartaxo Rolim)
Diante disso,percebo que é necessário ser feita uma análise concreta sobre o fenômeno expansivo de uma religião que exibe uma diferença em seus costumes e sua teologia, estando em paralelo com a desigualdade social presente na sociedade brasileira.